Boas vistas

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

“Para cá do Marão mandam os que cá estão”


 “… Quem diz província diz unidade histórica. Mergulhado no isolamento das suas montanhas e vales profundos, privado de estradas e caminhos acessíveis, à margem da circulação que animava o litoral do país, de natureza rude, clima excessivo, solo em regra pouco fértil, habitado por uma grei rural que, mantendo uma tradição comunalista vivaz, praticava uma agricultura primitiva e criava os seus gados, bastando-se a si própria, Trás-os-Montes oferece desde cedo uma fisionomia peculiar que o distingue das outras regiões de Portugal.
(Vergílio Taborda, Alto Trás-os-Montes, estudo geográfico. Imprensa da Universidade de Coimbra. Coimbra. 2011.)


Tínhamos deixado a aldeia de Relva e subimos a serra...
E, esta serra de nome Alvão, parte integrante do maciço do Marão apesar de uma orientação diferente (SSE-NNE) é predominantemente granítica, embora nesta parte recentemente calcorreada, os xistos sejam as mais abundantes das rochas visíveis...
Aqui, aproxima-se já da serra do Marão e dos seus xistos que algum deus fez escorrer para o Douro.

Lamas de Olo, ou Lamas D'Olo, fica ali bem perto. À nossa frente a Barragem Cimeira, porque está no "cimo" e, a norte, surge então a aldeia de nome de Lamas D'Olo. É o rio que lhe dá nome e não as águas que escorrem para esta barragem artificial ainda distante das suas águas límpidas.
Olo, rio virgem, talvez um dos poucos que, em Pleno Parque Natural do Alvão, é um rio selvagem, onde se integram as quedas de água maiores da Península Hibérica.
Mas desta barragem falaremos pouco, porque ela apenas abastece de água parte da cidade de Vila Real. apesar de tudo, o planalto beneficiou de uma  imagem mais aquática.


"De resto, a terra lá está, inabalável, com as suas altitudes[...]. Mesmo na nossa era de grandes recursos tecnológicos não se podem ignorar as suas imposições." (Mattoso, Daveau, Belo. PORTUGAL, O Sabor da Terra. p: 146)

Seguimos na direcção oeste, a pensar vislumbrar agora mais perto o Marão, a serra de Teixeira de Pascoaes...

Mas as novas tecnologias impõem-se em primeiro plano, mesmo antes de ver a serra em todo o seu esplendor
E são estas serras o limite, a linha que nos separa do resto do país. Mattoso, Daveau e Belo, fazem o mais eloquente comentário às gentes e à região no seu magnífico livro, "O Sabor da Terra- Trás-os-Montes". É ler das páginas 142 à 185 e sentir-se-á de um modo objectivo e profundo a nossa região.
Através desta fronteira, para cá, projecta-se o "Reino Maravilhoso"... O reino da dureza e da luta, da independência e da identidade, da agrura e das paisagens soberbas... Terra de rugas encrustadas nas encostas, como a que a seguir surge.
Aqui, bem perto de Vila Cova, já no vale da campeã, por onde descemos, encontram-se as minas desactivadas de ferro, volfrâmio e estanho. Mais um dos abandonos.
Ali colada a igreja e santuário da Senhora de La Salete, a querer expiar os males que da terra emanam...
Mas o complexo mineiro está abandonado... e violado. Mais uma vez, ninguém parece importar-se com aquilo que é do estado... de nós todos.

Até com um posto de saúde dotado de uma unidade de radiologia o posto funcionava.



“Situada nos contrafortes da serra do Alvão e com o Marão à vista, Vila Cova é uma freguesia das mais pequenas do concelho de Vila Real. De características serranas, alguns dos seus pontos mais elevados estão a ser aproveitados para a produção de energia eólica.
Uma mais valia para a freguesia, já que, durante um só ano, pode arrecadar doze mil contos, graças aos contratos com as várias empresas do sector. Vila Cova chegou a ser um dos mais importantes complexos mineiros de Trás-os-Montes e do país. A exploração de ferro chegou a ocupar perto de um milhar de trabalhadores.
Teve um hospital, uma cantina e várias pensões. Com o arrefecimento do mercado mundial do ferro, as minas, em finais dos anos setenta, fecharam as portas. Virada esta página, a freguesia viu diminuída a sua população. Presentemente, possui, apenas, cerca de três centenas de habitantes. Pela sua localização geográfica e pelas paisagens que possui, é conhecida como “a Suíça do concelho”. A freguesia de Vila Cova já pertenceu ao concelho de Ermelo (Mondim de Basto) e, como este se extinguiu, em 1853, passou a fazer parte do concelho de Vila Real. As minas do Faruca, Lameiro do Bicheiro e Vale do Cieiro foram as mais importantes do complexo que ali existiu. José Adalberto Machado Duro é Presidente da Junta da Freguesia, desde 1983. Trata-se de autarca dinâmico, só que um acidente de trabalho fez interromper o seu percurso de edil. Por isso, garantiu-nos que não vai concorrer às próximas eleições autárquicas. Vila Cova tem cerca de 250 habitantes. É uma freguesia rural, pequena, com uma população activa diminuta e onde a emigração se faz sentir. França, Alemanha e Luxemburgo são os destinos preferenciais daqueles que procuram melhores condições de vida. Milho, batata e castanha são os principais produtos agrícolas, sendo a pecuária, também, uma actividade com algum peso, nesta freguesia que só tem dois lugares: Vila Cova e Mascozelos.
Para os espaços envolventes das minas, há algumas ideias, para o seu aproveitamento turístico…”
Semanário Transmontano, 2005-06-06



Ao longe afinal, boas novas... o campo de escuteiros, bem recente e num espaço fantástico para treinos e convívios.


aqui, os heróis caminheiros descansam. O sol estava "picante".

O espaço escutista :


A descida para Pêpe, no vale da Campeã, e o caminheiro a tentar "abanar" as novas tecnologias, que nos diziam para virar à esquerda... ou seria à direita?

Finalmente Pêpe... e água fresca. Depois o almoço e a sombra mais prolongada.

domingo, 28 de agosto de 2011

IRLANDA, Torc Waterfall- Killarney National Park

WATERFALL


The burn drowns steadily in its own downpour,
A helter-skelter of muslin and glass
That skids to a halt, crashing up studs.

Simultaneous acceleration
And sudden braking; water goes over
Like villains dropped screaming to justice.

It appears an athletic glacier
Has reared into reverse: is swallowed up
And regurgitated through this long throat.

My eye rides over and downwards, falls with
Hurtling tons that slabber and spill,
Falls, yet records the tumult thus standing still.

HEANEY, Seamus. "Death of a Naturalist". faber and faber. P:27.

 

A República da Irlanda é uma ilha verdejante, de paisagens intensas e de beleza maior... as maiores que os deuses foram capazes de criar!


Mas no Kerry, a sudoeste da ilha, há uma magnífica península, que parece ainda de beleza mais intensa (como se fosse isso possível) e que se chama de Iveragh.

Nela se inscrevem praias e falésias maravilhosas, verdes e cheias de muros de pedra, fazendo parecer um pouco os muros do nosso Trás-os-Montes.


Depois, um parque natural, como se isso nos parecesse um pleonasmo da natureza!: o Parque Natural de Killarney.
Este rio, que apresenta umas queditas de água (parece exagerado chamar waterfalls a estas quedas das quais nem uma foto tirei às próprias quedas) chama-se Owengarriff.


O mais magnífico é a paisagem envolvente, cheia de carvalhos antigos, como eu pensava só existirem na misteriosa Irlanda do meu pensamento, antes de aqui estar.



E junto a estas quedas podem fazer-se 3 circuitos pedestres, de duração variável entre 1 e 3 horas, todos circulares.


Por uma questão logística fiz o amarelo, o mais pequeno dos 3 dos quais aqui deixo as fotos.


A luz foi magnífica pelo que o trabalho fotográfico valeu a pena.

Demorei cerca de 40 minutos a fazer o circuito, andando muito rápido e fazendo paragens breves...


Nota-se o tempo e a humidade nas árvores centenárias.














Este foi o local onde me demorei mais, depois da subida e antes de descer pelo monte oposto, na margem contrária do rio.




Valeu a pena subir!











Este foi o carvalho mais imponente que encontrei em toda a Irlanda que visitei. Valeu a pena conhecer e pôr a mão em tal divindade!


Não faltam as metasequóias em todo o trajecto.











Foi belíssimo!!!
Não vale a pena reclamarem! Não concordo com o novo acordo ortográfico, pelo que continuarei a ser fiel ao português de Portugal e não àquele que se reclama de novo acordo... por mim estou em desacordo!!!!!